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Responsabilidade Social Empresarial
Pedro Reis*

Nos tempos modernos a comunidade espera que as empresas sejam responsáveis com o meio ambiente, tenham políticas trabalhistas sólidas e que contribuam para o bem da sociedade.
Hoje se exige do mundo empresarial muito mais que criar valor para os acionistas; o novo paradigma é criar valor para todo o entorno social. Naturalmente, responsabilidade social empresarial é muito diferente do tradicional altruísmo ou da convencional filantropia. Não se está sugerindo o abandono da relação filantrópica de natureza assistencial, centrada na caridade e em boas intenções, de grande tradição entre nós, que desempenha um papel legítimo e valioso; doações beneficentes, úteis e indispensáveis, são o primeiro corte em tempos de miséria, mas basear uma parceria intersetorial apenas na transferência de recursos genéricos e indiferenciados limita o potencial de geração de valor. Ainda da perspectiva da empresa doadora, o valor gerado por bens genéricos é fácil de ser imitado pela concorrência. A empresa que seguir atuando sob esse prisma tradicional, sem uma visão de interdependência, está desperdiçando um ativo de grande potencial para a organização. Se a estratégia corporativa incorporar como elemento central a variável social, estabelecer relacionamentos pautados pela ética, respeitar princípios de cidadania, a empresa vai obter um tipo de reconhecimento que não se pode comprar: o respaldo que significa a credibilidade da sociedade civil.

A colaboração entre empresa e sociedade civil gera verdadeiro valor, tanto social como empresarial, até então inexistente, já que o fluxo de valor tende a caminhar em ambas as direções. A possibilidade de mobilizar recursos faz com que a empresa seja instrumento muito mais poderoso para a criação de valor social do que cidadãos de forma isolada.

Não existe um checklist sobre como deve ser uma empresa socialmente responsável; esse conceito deve ser resultado de uma construção política com a sociedade. Embora a prática da responsabilidade social empresarial seja salutar e venha ganhando força, entre nós falta ainda padronização, consistência e confiabilidade. Quando se está tratando de responsabilidade social empresarial, transparência é fundamental; é com ela que se enfrenta a suspeita de que, por trás da fachada de responsabilidade social empresarial, o que se está praticando mesmo é mero marketing.

Algumas empresas se mostram reticentes em estabelecer parcerias sociais porque têm dificuldade para encarar como compatível a criação simultânea de valor econômico e de valor social, para reconhecer que ambas as dimensões não são um jogo de soma zero. O problema é cultural; em nossa sociedade é preciso estimular uma nova cultura, uma cultura na qual as questões de responsabilidade social empresarial perpassem todas as funções organizacionais.

A responsabilidade social empresarial tem gerado parcerias estratégicas mais estáveis que alianças fundadas meramente na filantropia convencional. A empresa que adota uma postura proativa e busca as oportunidades de sobrevivência e crescimento abertas pela responsabilidade social empresarial vai desempenhar um papel valioso e colecionar histórias de sucesso, gerando benefícios superiores aos custos.

Uma aliança social entre uma empresa e uma organização da sociedade civil traz inúmeros benefícios para ambas as partes: proporciona uma série de repercussões positivas para a empresa e beneficia a organização social com o acesso ao provedor e a outras fontes de ajuda. Um eloqüente exemplo de parceria com alto alinhamento é o de FARMACIAS AHUMADA S.A., principal rede de farmácias do Chile, que fez aliança de relevância estratégica com a FUNDAÇÃO LAS ROSAS, uma instituição dedicada ao cuidado de idosos desprotegidos, a qual potencializou a ajuda à Fundação e ao mesmo tempo estimulou a produtividade dos empregados da empresa.

As mesmas forças que vêm elevando as expectativas da comunidade quanto ao comportamento social, ambiental e ético das empresas também estão abrindo oportunidades para estratégias de negócios que promovam objetivos comerciais. Se for capaz disso, a responsabilidade social empresarial abrirá as portas para muito além da filantropia empresarial, mobilizando recursos e competências antes inacessíveis à comunidade; acima de tudo, pode colocar em ação o empreendedorismo e a criatividade que definem uma empresa de sucesso e, ao mesmo tempo, ajudar a encontrar soluções sustentáveis para as necessidades da comunidade.


*O autor é médico e vereador.
 


 
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