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Riscos e desafios do pré-sal
Por Assessoria - Ibama
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou que vai montar uma força-tarefa para lidar com o desafio de licenciamento ambiental que será imposto pelo pré-sal. O órgão começará a montar uma equipe de analistas ambientais com a missão específica de atender às demandas das novas fronteiras petrolíferas. Nesta mesma semana, a Petrobras informou que pretende perfurar 20 novos poços na região do pré-sal da Bacia de Santos em 2011.
Para os especialistas, o assunto é muito mais sério e complexo e exige atenção não só dos gestores públicos, mas de toda a sociedade brasileira, principalmente dos setores mais preocupados com a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Para o consultor Paulo Niemeyer, da Aon Consulting, o acidente no Golfo do México expôs os perigos da exploração de petróleo em águas profundas “Depois das descobertas da camada pré-sal, o Brasil caminha para se tornar um dos principais pólos de exploração marítima de petróleo e gás, disputando a liderança com os Estados Unidos”, avalia.

De acordo com os resultados obtidos por meio de perfurações de poços, as rochas do pré-sal se estendem por 800 quilômetros do litoral brasileiro, de Santa Catarina até o Espírito Santo, e chegam a atingir 200 quilômetros de largura. Caso a expectativa seja confirmada, o Brasil ficaria entre os seis países que possuem as maiores reservas de petróleo do mundo, atrás de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.

Grandes questões

Com a descoberta, surgem, também, grandes questões a serem consideradas, explica o consultor. Uma delas está justamente na tecnologia que será necessária para a extração. “Apesar de o Brasil, hoje em dia, ser um dos mais avançados do mundo na exploração de petróleo, o país ainda não dispõe de recursos necessários para retirar o óleo de camadas tão profundas e terá de alugar ou comprar de outros países”.

O campo de Tupi, por exemplo, se encontra a 300 quilômetros do litoral, a uma profundidade de 7.000 metros e sob 2.000 metros de sal. É de lá e dos blocos contíguos que o governo espera que irão jorrar 10 bilhões de barris de petróleo. “Existe, principalmente, uma preocupação em relação às consequências de um possível acidente em águas tão profundas, em função do desastre ambiental que ocorreu em abril do ano passado, no Golfo do México. O mercado passou a exigir que, cada vez mais, as petrolíferas invistam em equipamentos sofisticados para evitar novos acidentes, e há também a preocupação das empresas quanto aos sistemas de segurança, planos emergenciais, planos de contingência, treinamentos e a preocupação com meio ambiente”.

Apesar deste cenário inicial, Niemeyer observa o excelente histórico de segurança no setor de óleo de gás no Brasil. “Em geral, as medidas de prevenção para o pré-sal são as mesmas adotadas em outros tipos de exploração com perfuração, só que neste caso as águas são mais profundas, com alta pressão e temperaturas mais elevadas, o que eleva os riscos exploratórios. Isto significa custos mais altos e cuidados extras para desenhar e estruturar poços e desenvolver os planos de perfuração”.

Segundo o consultor, para que seja possível evitar um incidente semelhante ao do poço Macondo, da BP, é preciso que as empresas reforcem os equipamentos de segurança e invistam em tecnologia e mão de obra qualificada, o que encarece o processo de extração.

Ele explica que após o incidente no Golfo do México houve uma reação imediata dos mercados. “Estima-se que os seguros para plataformas que operam em águas rasas aumentaram 25%; para as que operam em águas profundas, em torno de 50%. Para os riscos de Controle de Poço e Responsabilidade Civil (vazamento e poluição), os aumentos nas taxas têm sido entre 15% a 30%. Houve também impacto na capacidade de limites disponibilizada pelos mercados”.
Além disso, prossegue o consultor, muitas empresas têm mostrado maior preocupação e atenção com riscos desta natureza e estão buscando aumento dos limites das suas apólices de seguros.

Muitos riscos

Por si só, a exploração de petróleo é uma atividade repleta de riscos. Requer tarefas perigosas, como perfurar rochas em regiões ultraprofundas, enfrentar pressões altíssimas e manipular volumes gigantescos de gás. “Com o pré-sal, é importante considerar que como o material que é encontrado durante a perfuração ainda é desconhecido, as características do petróleo podem ser diferentes de poço para poço, variando conforme diversos fatores. As características deste petróleo podem variar e muito, uma vez que as condições nas quais foi sintetizado, em áreas mais profundas do solo do fundo do mar, lhe atribuíram particularidades bem específicas, que não sabemos até onde se estendem”.

O petróleo do pré-sal, de acordo com Niemeyer, terá uma qualidade maior do que a do pós-sal. “O motivo é que a camada do sal preserva e protege o petróleo e não permite que ele fique exposto à chuva e ações de bactérias. Além disso, a impermeabilidade do sal faz com que o óleo não se disperse e facilita a extração”.

Os equipamentos de exploração de petróleo usados até o momento são dimensionados para características conhecidas. “Mas o material pode ser mais ácido, com densidade mista ou até abrasiva, altamente volátil, com uma grande quantidade de gases acumulados. Pode, ainda, estar disposto sob altíssima pressão, que as máquinas e mangueiras podem não suportar. A prevenção, assim, é a melhor forma de obter sucesso neste novo e potencial ramo”.

Planejar é fundamental

Para o consultor ambiental Fernando Marcelo Manhães Tavares, ex-secretário de Meio Ambiente de Macaé, é preciso ter um planejamento para a exploração do pré-sal, com plano diretor, e a participação de todos os atores, envolvendo municípios, governos federal e estadual, empresas, população, sociedade acadêmica e instituições ambientais. “É preciso usar a experiência da Bacia de Campos como ponto de partida para o pré-sal”, afirma.

Fernando Marcelo tem mostrado em suas palestras o crescimento acelerado de Macaé e os impactos que a exploração do petróleo trouxe ao município, citando que em 1974, eram 47 mil habitantes, hoje são 200 mil, o que representa um crescimento médio populacional de 412% em 35 anos.

Ele afirma: “Além dos impactos ambientais, temos um grave problema social, pois na área do manguezal estruturaram-se bairros carentes, como Nova Holanda, Nova Esperança e a Malvinas, onde também se instalou a violência e o tráfico de drogas”.

Além dos impactos ambientais gerados pelas ocupações em áreas de preservação permanente, houve, de acordo com Fernando Marcelo, o surgimento de favelas e bairros periféricos sem infraestrutura. “Junto ao crescimento populacional, aumentaram as demandas por serviços públicos, como vagas nas escolas e atendimentos médicos; o custo de vida elevou-se tanto quanto a valorização imobiliária; além dos impactos no trânsito, que hoje tem uma média de 25 mil carros e 700 caminhões trafegando diariamente. A secretaria de Educação precisa abrir três mil vagas no ensino fundamental todos os anos”.

Uma atividade que já foi tão importante para o município, mas que vem perdendo espaço para a exploração do petróleo, é a pesca. Fernando Marcelo observou que esses profissionais vêm sofrendo grandes perdas, seja com os estudos da sísmica ou pela modificação do ambiente marinho. “São constantes os relatos de atropelamentos, perda de rede e outros materiais, além dos pescadores perderem o espaço da pesca para as embarcações. Eles garantem que onde há a pesquisa da sísmica, não há peixes”.
 
 


 
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